Grupo Fritos

Grupo de Estudos de Música Corporal (Percussão, Voz e Movimento)

A Percussão Corporal como recurso musical

Autor: Pedro Consorte.

Primeiro post do blog, que responsa! Vamos lá.

A percussão corporal é uma prática que pode ser utilizada, entre outras finalidades, como recurso sonoro e musical. Nos últimos 10 anos, mais atenção voltou-se para os tipos de técnica existentes e para os ainda em desenvolvimento.

Em várias culturas, podemos observar a presença da percussão corporal como recurso sonoro e musical. Em cada lugar, ela é desenvolvida dentro de um estilo e, conforme analisamos seu tipo de técnica e nível de complexidade, podemos até identificar diálogos com o respectivo contexto cultural.

A percussão, de modo geral, é uma prática bastante associada a culturas populares e a percussão do corpo acompanha este mesmo trajeto. Em atividades de cultura popular, dança e música trabalham quase sempre juntas, e nesses ambientes podemos encontrar vários tipos de percussão corporal.

Quando comecei a escrever este artigo, tinha a intenção de apresentar exemplos de técnicas de percussão corporal que fossem utilizados somente na área da música, mas notei que, quando identificava exemplos, a dança também estava envolvida; tão evolvida que em alguns casos era difícil distinguir o que era dança e o que era música. Acabei, então, listando práticas que utilizam a percussão corporal como recurso sonoro e musical, não necessariamente só na área da música, e isso englobou mais possibilidades.

É importante lembrar que, além de citar algumas técnicas de percussão corporal e estilos de danças percussivas, permanecerei falando somente no âmbito da apresentação cênica, e não tocarei ainda em áreas como musicoterapia, dinâmicas de grupo, educação musical e muitas outras que também desfrutam da percussão do corpo.

Aqui estão, de acordo com a minha escolha pessoal, alguns dos nomes e estilos mais importantes da área da percussão corporal, dentro da cena internacional. Esta é uma passada superficial, mas tentei detalhar um pouco sobre a origem, timbres explorados e coloquei um vídeo de exemplo embaixo de cada estilo. Técnicamente, considerei percussão corporal as técnicas que batem partes do corpo umas nas outras ou no chão. Vamos lá!

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BARBATUQUES, além de ser o nome do grupo, se tornou o nome da sua própria técnica, trabalhada e desenvolvida inicialmente por Fernando Barbosa (“Barba”), criador e diretor do grupo. A técnica começou a ser pesquisada a partir da transposição dos sons da bateria para o corpo e se desdobrou em uma pesquisa, de níveis bastante sensíveis, da ampla variedade de timbres corporais, desde os percussivos até os vocais.

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HAMBONE (Juba Dance) é um estilo de dança rítmica, inventado por escravos afro-americanos que não podiam usar nenhum tipo de instrumento musical. Pelo fato de alguns escravos poderem se comunicar por meio da percussão de tambores, os comerciantes de escravos proibiram qualquer tipo de instrumento, o que acabou estimulando a utilização do próprio corpo. Nesta técnica, leves tapas no peito, coxas e pernas são combinados com batidas dos pés no chão e palmas.

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CLOGGING é um estilo de dança rítmica originada durante a Revolução Industrial no Reuno Unido. Clog é o tipo tamanco utilizado por milhões de trabalhadores naquela época e esta pode ser considerada como uma das primeiras danças urbanas. No Clogging, há basicamente ou batidas dos pés no chão, ou de um pé um no outro. Esta técnica era utilizada como entretenimento, acompanhada de cantigas, e influenciou a criação da Juba Dance e do Sapateado Americano.

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TAP DANCE (sapateado americano) é um estilo de dança que utiliza a percussão dos sapatos no chão para criar frases rítmicas. Esta técnica veio de uma junção de três vertentes de dança: Clogging, Step Dance Irlandesa e Juba Dance. Neste estilo, existem linhas de pesquisa mais dançadas e linhas mais tocadas. As dançadas se aproximam do teatro musical da Brodway e as tocadas se aproximam do jazz. No tap, as partes do corpo mais tocadas são os pés, acompanhadas de algumas palmas eventuais.

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GUMBOOT é um estilo de dança que utiliza a percussão corporal e teve sua origem nas minas de ouro da África do Sul. Neste caso, a técnica de percussão corporal foi, inicialmente, desenvolvida para servir como um instrumento de comunicação entre os mineradores que eram proibidos de falar. A princípio, ao utilizar frases rítmicas, batendo as mãos nas botas de borracha, eles se comunicavam dentro das minas, e essa prática foi, mais tarde, convertida em estilo de dança entre os próprios mineradores.

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STEPPING é uma linha das danças percussivas, criada por fraternidades de estudantes universitários afro-americanos por volta de 1900 nos Estados Unidos. Esta prática se utiliza de passos, palmas e “spoken word” (gritos de guerra) para produzir uma combinação rítmica destes elementos e, no universo da percussão corporal, demonstra uma maneira interessante de aliar os sons corporais com os movimentos.

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STOMP, além de ser o nome do grupo inglês que trabalha com percussão em movimento, também pode ser considerado o nome de um estilo de percussão corporal. Entre percussões de instrumentos não convencionais, o grupo também explora a percussão do corpo de uma maneira bastante original. Os shows possuem caráter cênico e de movimento bastante forte, e os timbres corporais mais usados são a batida dos pés no chão (botas), palmas e batidas nas coxas.

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FLAMENCO (dança) se desenvolveu em Andalucia (Espanha), a partir grandes influências de grupos ciganos vindos da Romênia que migraram pra Espanha. O Flamenco é uma combinação de música, canção e dança. Na sua dança, há tapas no corpo, mas a característica mais forte é a presença das palmas e frases rítmicas do sapateado. Musicalmente falando, sua principal fórmula de compasso é a de 12, com acentuações não convencionais pros ouvidos ocidentais.

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SAMAN (dança) é um estilo de dança da Indonésia que utiliza a percussão corporal de forma bem sutil. Geralmente, apresentada por um grande número de dançarinos, as palmas e tapas leves se tornam audíveis a um grande público. A dança é apresentada com os dançarinos de joelho, e a percussão é feita nas palmas e costas das mãos, coxas e tórax.

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DANÇA ROMENA (Folclórica) é uma dança que se originou principalmente na região da Transilvânia durante o período do Feudalismo. Nas pequenas vilas, a dança se desenvolveu como uma atividade comunitária e a disposição dos participantes é, geralmente trabalhada, ou em roda ou em pares. Acompanhada de instrumentos musicais e canto, a percussão corporal mais comum neste estilo explora estalos de dedo, pisadas no chão, batidas de mão nos pés, coxas e palmas de mão.

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DANÇA CIGANA (Hungria e Eslováquia) é uma dança que vem da mesma região da Dança Romena, com as mesmas influências, mas organizada de uma forma diferente. O andamento é bastante rápido e as frases rítmicas são mais complexas. Os timbres corporais tocados são: palmas, pisadas, tapas nos pés, coxas e peito.

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KATHAK, que deriva da palavra “katha”, é uma dança original do norte da Índia. Este estilo de dança, geralmente, conta uma história, por exemplo, sobre a mitologia hindu ou sobre os famosos contos Mahabharata, Raymayana e Purana. A dança possui movimentos de piruetas rápidas e posições estáticas, sendo acompanhada pela música tocada por instrumentos musicais convencionais hindus. Os dançarinos usam guizos nos tornozelos, batem os pés no chão e criam frases rítmicas que acompanham as células musicais sendo tocadas.

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Autor: Pedro Consorte
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13 comentários em “A Percussão Corporal como recurso musical

  1. cadublogpress
    20 de abril de 2012

    Excelente artigo! Uma boa síntese da percussão corporal!
    Valeu …

  2. Edí
    24 de abril de 2012

    Show!!! Realmente, uma síntese da percussão corporal….mostrei aos meus alunos adolescentes e eles adoraram conhecer e ver vídeos a respeito. Obrigada Pedro e continue nos informando sobre este “MUNDO CORPORAL SONORO”. Edí – musicista e educadora musical. Um grande abraço a todos!!!!

  3. Mariana N Petrini
    24 de abril de 2012

    Parabéns Pedroka! Ótimo texto…valeu pelo aprendizado!

  4. viagenscombetina
    5 de maio de 2012

    Muito bom o artigo, contribui no meu aprendizado, agradeço pelo trabalho realizado.

  5. Marcela Maia
    21 de fevereiro de 2013

    Nossa parabéns! Fez um panorama belíssimo. Obrigada Pedro Consorte pela generosidade em compartilhar!!

  6. Pingback: SONS # 18 Hambone | O meu baú

  7. Juliana Marra
    7 de agosto de 2013

    Oi Pedro, parabéns e obrigada pelo post, é realmente fantástico!

    Gostaria de saber se pensam esse levantamento da percussão corporal também em relação à cena nacional, associado às culturas populares e tradicionais. Estou estudando a catira no programa de Performances Culturais em Goiânia e penso ser uma importante dança percussiva brasileira.
    Pesquisando mais sobre o tema, por sorte, acabei vindo parar aqui e conhecendo o trabalho de vocês. Muito bom!!

  8. julia macedo
    13 de fevereiro de 2014

    Minha professora de artes que me recomendou,e eu gostei muito

  9. La Gitana
    20 de fevereiro de 2014

    Cara!
    Muito bom mesmo!!!
    Você foi ótimo!
    Valeu!!!

    Beijos

    La Gitana

  10. Orlando De Paula
    19 de maio de 2015

    Muito obrigado pela matéria, veio muito de encontro aos trabalhos que tenho no curso tecnico dem dança que faço no Centro Paula Souza – Etec de Artes. E para o desenvolvimento do meu tcc em danças etnicas, dança flamenca e dança cigana.
    Grande abraço, sucesso.

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