Grupo Fritos

Grupo de Estudos de Música Corporal (Percussão, Voz e Movimento)

Contra a corrente: é possível somar as diferenças?

Escrito por Pedro Consorte e publicado no Batera.com.br

Individualidade é toda qualidade que nos faz seres únicos e singulares, podendo se manifestar como diferenças biológicas, culturais, sociais e etc. Porém, com cada vez mais frequência, a individualidade vem sendo conduzida pelo individualismo, que é um comportamento baseado na valorização da individualidade e desvalorização da coletividade.

“Quem não é igual é pior”. Esse é um pensamento que se baseia em uma postura de exclusão e que a gente acaba incorporando, conforme ele é estimulado pelo mercado, pela mídia, pela educação e por interesses que se apoiam no individualismo para poderem existir. Além do caráter exclusivo (de exclusão), também há o caráter competitivo no pensamento individualista, sempre nos treinando a pensar que a competitividade é uma condição normal e inevitável.

Muitas vezes, pela própria urgência do dia-dia, a gente sente dificuldade de se questionar ou rever valores e isso é muito normal. Conseguir achar tempo para um momento reflexivo pode ser um luxo, pois quem tem urgência de colocar comida na mesa, talvez não tenha tanto espaço para análises filosóficas. Então, aproveitemos e façamos um bom uso deste momento.

Se a gente não parar e questionar nossas próprias posturas cotidianas, não haverá muita chance de identificarmos comportamentos que são adotados de forma inconsciente e que acabam fazendo parte de nossas atitudes. É lógico que o mais confortável seria manter os valores defendidos pela maior parte das pessoas sem questioná-los, mas nem sempre o que a maioria pensa é o mais saudável para você.

No caso das nossas posturas dentro do universo da música, podemos começar pensando nas relações que desenvolvemos dentro das condições do trabalho. Para entendermos mais sobre a possibilidade de surgimento de uma coletividade criativa e solidária, analisemos o histórico do mercado da música nos últimos anos.

Depois da crise da indústria musical, por causa da internet, do mp3 e da pirataria, outras ideias foram surgindo como estratégias de desenvolvimento dentro do mercado. No momento de crise, é normal que cada um se adapte de acordo com a sua capacidade e, hoje, as condições de trabalho estão estruturadas sobre um mundo cheio de recursos tecnológicos (ex: internet, softwares de gravação e edição) e também desafios (ex: formação de público, valorização do trabalho do músico).

O mercado e as suas condições sempre mudam em uma veloz dinâmica transformação e, quando a configuração de trabalho e vida mudam, as pessoas tendem a entrar em pânico com a instabilidade e se voltar à linha individualista, do “salve-se quem puder”. Porém, se expandirmos a nossa percepção, poderemos ver que a coletividade irá ajudar muito o profissional a superar as dificuldades. Uma das chaves para entrar no espaço da coletividade é o desenvolvimento da habilidade da escuta.

A capacidade de escuta de cada indivíduo tem sido, mais do que nunca, um recurso fundamental para encontrarmos alternativas e usarmos a criatividade coletiva. Neste caso, a “escuta” não só se refere ao sentido auditivo, mas também se refere à nossa sensibilidade de percepção e diálogo com as condições que nos cercam. Quanto mais exercitarmos estar abertos, solidários e generosos, mais facilidade teremos de nos adaptar às condições, que estão em constante e inevitável transformação.

Coletividade na internet

A internet é um universo muito desafiador e difícil de ser entendido, porque é muito recente. Inclusive, um dos desafios atuais, para o controle exercido pela mídia e pelo consumo, é o desenvolvimento de estratégias para “domar” os espaços virtuais online. Felizmente, ainda há bastante folga para interesses que não são, necessariamente, relacionados ao individualismo, como, por exemplo, os trabalhos baseados na coletividade.

Após a criação de sites como Wikipedia, Catarse e Youtube, onde qualquer um pode se registrar e colaborar ou contribuir com o sua opinião, informação ou conhecimento, a internet começou a se desenvolver mais ainda em direção a pensamentos coletivos e, com isso, abriu um espaço diferente do que já havia sendo estimulado pelos outros meios de comunicação.

Coletividade na música

A música é um universo onde a coletividade pode estar bastante presente, pois o fazer musical se estrutura basicamente na união de indivíduos para uma construção coletiva. Tomando essa base como a condição mais comum para se fazer música, podemos identificar a música como um universo que possui muito potencial sobre o desenvolvimento do pensamento coletivo e que, por isso, acabou se tornando uma ferramenta muito útil neste sentido.

Possivelmente, as práticas musicais são uma das alternativas mais eficientes na demonstração do valor da coletividade e, exatamente por isso, têm sido cada vez mais utilizadas em projetos sociais e educativos.

Como anda o seu nível de coletividade?

Fazer parte de um círculo social ou de um grupo não quer dizer necessariamente que você está pensando de forma coletiva e, muitas vezes, a gente pode fazer parte de um grupo e ainda pensar de forma individualista. Você já parou para se questionar?

A coletividade parece ser uma qualidade que foi esquecida ou tem sido direcionada por interesses que a distorcem. Imagino que esta seja uma boa oportunidade de buscarmos mais atividades que despertem e exercitem a nossa coletividade, a favor da soma das diferenças como um fator de enriquecimento.

Seria uma controvérsia desenvolver esse artigo aqui sem querer saber quais outras contribuições os leitores também poderiam dar para enriquecer esta discussão. Então, por favor, comente abaixo!

No Youtube, por exemplo, podemos encontrar colaborações, ações coletivas e artistas do mundo inteiro que criam trabalhos valorizando a soma das diferenças. Abaixo, temos dois exemplos de trabalhos neste perfil.

O primeiro vídeo foi produzido por um projeto que viajou para vários países coletando contribuições de músicos variados, para montar uma faixa musical com todas essas colaborações.

O segundo vídeo foi feito por um artista que mixou e editou vários outros vídeos de pessoas que gravaram a mesma música e subiram o material para a internet.

Fonte: http://www.batera.com.br/Artigos/contra-a-corrente-e-possivel-somar-as-diferencas

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2 comentários em “Contra a corrente: é possível somar as diferenças?

  1. juliusgoncalves
    27 de setembro de 2012

    Assino embaixo! Muito bem dito Pedro! Entre as várias coisas que me fascinam nos nossos encontros no Fritos, a que mais me encanta é a nossa busca por uma coletividade real e sincera. Cada dia encontro mais pessoas pensando assim, será que é o circulo de pessoas com quem convivo ou o mundo está mudando? Não sei, mas de qualquer forma o mundo em que eu vivo está mudando, tem algo acontecendo…

  2. cadublogpress
    27 de setembro de 2012

    Esse é o espírito verdadeiro da música corporal, concordo plenamente com o Julius. Valeu Pedrocs!!

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