Grupo Fritos

Grupo de Estudos de Música Corporal (Percussão, Voz e Movimento)

Tudo é som.

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Autor: Ronaldo dos Santos

E se tudo fosse música?

Seu corpo, sua família, seus amigos, sua empresa, sua vizinhança, o trânsito, a vida cotidiana, o universo…

Segundo uma antiga sabedoria hindu – “Nada Brahma”, em sânscrito – tudo é som, pois, numa lógica simplificada, som é vibração e tudo vibra.

Mas o som por si só não é necessariamente música e para que ela aconteça precisamos perceber em algum nível algum tipo de relação entre vários sons e entre som e silêncio.

Independente de gosto, temos culturalmente noção de quando a música acontece ou não e no meu entender isso se dá quando percebemos (sensorialmente ou intelectualmente) a existência de conexões.

Considere a dança como uma música que vemos e repare na conexão dos casais ou grupos dançando ou nas interações que existem no que poeticamente chamamos de dança do universo.

Admitindo que tudo seja som, então, verifique se você “ouve” música acontecendo na sua vida cotidiana, na família, na empresa, na economia, na vizinhança, entre amigos, com o meio ambiente etc. Há relação, há conexão, há harmonia? Os “sons” colaboram uns com os outros para que a música surja? Como parte desse conjunto de sons, que tipo de música você ajuda a compor? É essa a música que você gostaria de ouvir?

Cada pessoa é um som ou um silêncio corresponsável pelo todo, desde o pequeno compasso de um breve cumprimento pessoal até o movimento inteiro do trânsito nas cidades ou a sinfonia completa das dinâmicas da natureza.

É possível criar ritmos empolgantes e belas melodias, assim como é possível desperdiçar totalmente o potencial das relações de grupo se não entendermos que para haver a música, temos que agir em conexão com o(s) outro(s) por algo que existe em comum. Seja – admitindo um pequeno olhar – um projeto de trabalho, por exemplo, seja – admitindo um olhar mais consciente e amplo – a integração com toda a vida à nossa volta.

Se tudo é som, porque não transformar tudo em música?

INSCRIÇÕES – RETIRO DE MÚSICA CIRCULAR:

https://bodymusicbrazil.wordpress.com/

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6 comentários em “Tudo é som.

  1. Pedro Consorte
    11 de outubro de 2012

    Boa, Ronald! Muito bom. E a questão de quando a música acontece ou não é uma questão intrigante, porque mesmo dentro de uma mesma cultura, a gente consegue achar pontos de vista diferentes sobre o que as pessoas consideram música ou não!..

    • ronaldoarte
      11 de outubro de 2012

      Pois é… uma questão difícil mesmo. Por isso fico pensando que os estímulos podem ser externos, mas a música acontece internamente com as conexões que cada pessoa estabelece a partir de suas experiências, sejam conexões físicas, emocionais, intelectuais ou espirituais.
      Numa determinada cultura, os membros que compartilham as mesmas referências tendem a criar conexões semelhantes e chegar a um consenso sobre o que é música, mas a divergência pode acontecer porque, ainda assim, é uma experiência individual.
      Acredito que a gente passa a ouvir música de modo diferente quando começa a estudar porque amplia a percepção das conexões e estabelece novas relações entre seus componentes.
      Quando um grupo faz uma improvisação e se conecta seja lá por qual sentido for, a música acontece para aquele grupo, mas ouvir uma gravação dessa improvisação não terá necessariamente o mesmo efeito, pois de alguma forma essa percepção será meramente sonora e a experiência não se aprofundará tanto quanto naquela vivência coletiva – as conexões são outras! Tenho achado que dessas conexões internas e invisíveis entre as pessoas e a natureza é que surjam a música da troca de olhares, a música dos sorrisos, a música dos encontros e aquela tal música das estrelas.
      Cada cultura tem seus códigos, mas quem sabe – numa visão poética, se desejar – não seja o tal do amor a conexão invisível que pode ligar tudo e todos para formar uma magnífica sinfonia coletiva!

  2. Julius Gonçalves
    11 de outubro de 2012

    Conheço poucos que realmente trabalham para alcançar o que essas instigantes palavras projetam em nossos sonhos, e o Ronaldo é certamente um deles!

    • ronaldoarte
      11 de outubro de 2012

      Grato pela gentileza das palavras, meu amigo! Acho que é o que a gente tenta alcançar juntos nos Fritos (e em outros tantos lugares) cada vez que se entrega a uma improvisação!

  3. Mário Aprá
    12 de outubro de 2012

    Ótimo texto!! Confesso que no início li só algumas partes por preguiça, mas quando li tudo, realmente fez sentido e me sensibilizou!! Isso lembra muito a conversa que tivemos no último encontro, e sem dúvida aquele encontro foi muito especial, rolou uma química (ou uma conexão, como queira) inexplicável!! Obrigado por todas essas conversas que tivemos, isso realmente “abriu” minha cabeça. Espero que tenhamos mais encontros como esses.

    • ronaldoarte
      13 de outubro de 2012

      Que legal Mário! Nossos bate papos “Ubuntu” também têm sido muito especiais pra mim e fico feliz pra caramba que possam reverberar positivamente nas conexões que fazemos com as outras pessoas e com o mundo. Vamos continuar juntando o pessoal para mais desses encontrossim, pra mim é fantástica a oportunidade de ter essa troca de ideias com vocês!

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Informação

Publicado em 11 de outubro de 2012 por em Comportamento, Reflexões, Som.
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